Para a Fiep, a redução da Selic anunciada pelo Banco Central é tímida e ainda distante do patamar necessário para incentivar o investimento do empresário
O anuncio da redução da taxa Selic, feito ontem pelo Banco Central após a primeira reunião de 2012 do Comitê de Política Monetária (Copom), em 0,5%, levando a taxa para 10,5% ao ano, não surpreendeu os economistas e a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Segundo o presidente Edson Campagnolo, o patamar atual ainda não é atrativo para o setor produtivo. “Essa redução irá refletir muito pouco no caixa das empresas e no bolso dos consumidores. O momento do Brasil é bom e o governo deveria pensar em taxas similares as do pós-crise dos Estados Unidos, em 2009 quando a Selic era de 9%”, analisa o presidente da Fiep.
Essa é a quarta redução anunciada pelo Banco Central desde agosto de 2011. Alguns analistas acreditam que o comportamento do Banco Central em relação à política de juros demonstra que esse índice pode chegar a 9,5% até o fim de 2012. O governo, por sua vez, dá sinais de que não pretende derrubar mais a Selic.
Para Campagnolo, o histórico recente de patamares menores na taxa de juros brasileira demonstra que o empresário faz bom uso desse recurso. “Com taxas mais baixas o empresário investe mais e isso tem reflexos imediatos na economia e também deixa uma herança positiva”.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a nova queda da taxa de juros em 0,5% veio em linha com as avaliações sobre o desaquecimento da atividade econômica e a tendência de convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%. A CNI assinala que o corte ainda mantém, contudo, os juros brasileiros acima dos padrões internacionais, evidenciando a existência de espaço para novas reduções.
O ambiente internacional de dificuldades das economias europeias continua gerando incertezas e restrição de crédito, o que justifica a atenção do Banco Central brasileiro com a liquidez e o custo do dinheiro no país. A CNI considera ser necessário dar continuidade ao ciclo de redução dos juros, de modo a atenuar os efeitos da baixa atividade mundial na economia brasileira e evitar novo movimento de valorização cambial.





