Otimismo da indústria paranaense é o menor em três anos

Pesquisa da Fiep revela que 76,95% das empresas têm expectativas favoráveis para 2012. Índice teve queda de dez pontos percentuais em relação ao último levantamento

O presidente Edson Campagnolo, com os economistas da Fiep, Maurílio Schmitt e Roberto Zurcher (Foto: Mauro Frasson)

O otimismo do setor industrial paranaense para 2012 atingiu o menor nível dos últimos três anos. A 16ª edição da pesquisa Sondagem Industrial, divulgada nesta quinta-feira (15) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mostra que 76,95% das empresas entrevistadas têm expectativas positivas para o ano que vem. O índice é dez pontos percentuais menor do que o registrado no último levantamento.

Confira a publicação com a pesquisa na íntegra

Para o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, o resultado do levantamento reflete o momento de incerteza da economia internacional, que interfere no ambiente interno. “Com tanta notícia ruim que vimos recentemente, é difícil manter o humor em alta durante todo o tempo. Apesar disso, ainda percebemos um clima de otimismo na indústria paranaense, mas com muita responsabilidade e cautela”, diz.

Campagnolo aponta outro fato que ajuda o empresariado do Estado a manter o otimismo para 2012¸ ainda que em níveis menores do que o de anos anteriores. “O Brasil e o Paraná têm sido objeto de muitos investimentos de multinacionais de vários segmentos. Elas estão percebendo uma oportunidade e que existe uma demanda interna. Isso também motiva os industriais paranaenses a continuarem com boas perspectivas”, justificou.

Números

Para elaborar a Sondagem Industrial 2012, a Fiep entrevistou 425 empresas paranaenses, de todas as regiões do Estado e de diferentes portes. Essas indústrias empregam 106 mil pessoas, aproximadamente um quinto do número total de trabalhadores do segmento. A pesquisa apontou que 76,95% das empresas têm expectativa favorável para o próximo ano, contra 14,41% com perspectiva desfavorável. Outros 8,65% disseram não ter definição sobre seu desempenho em 2012.

O otimismo dos industriais paranaenses registrou o nível mais baixo desde 2009, quando apenas 62,17% afirmaram ter perspectivas favoráveis. Nos dois últimos anos, as expectativas de desempenhos positivos haviam atingido índices elevados, de 86,42% para 2011 e 87,78% para 2010.

O coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt, aponta outros fatores que contribuíram para a queda do otimismo da indústria paranaense. Entre eles, os sinais de desaceleração apresentados pelo mercado interno. Segundo o economista, até outubro deste ano a indústria paranaense registrava crescimento de 6,5% em suas vendas, mas com a velocidade de expansão caindo mês a mês.

Além disso, o crescimento da economia brasileira baseado na abundância de crédito para o consumo também pode influenciar no desempenho para o próximo ano. “Crédito é importante para a economia, mas tem que ser na dose adequada, distribuído tanto para produção quanto para o consumo. No Brasil, o crédito para o consumo é muito maior do que o para produção e esse descompasso cria distorções na economia doméstica”, afirma. Para suprir essa expansão de demanda causada pelo crédito abundante ao consumo, o país incentivou o ingresso de produtos importados que, somado à questão cambial, dificultou a concorrência de alguns produtos industriais no próprio mercado interno.

Investimentos

A Sondagem Industrial da Fiep revela ainda que, entre os empresários que se dizem otimistas, 40,57% pretendem realizar novos investimentos em 2012. Desses, 77% afirmaram que utilizarão recursos próprios para concretizá-los. Além disso, 38,99% das empresas acreditam em aumento nas vendas no próximo ano, enquanto 20,44% esperam crescimento do número de empregos.

Em relação às principais estratégias que serão utilizadas pelas indústrias do Estado em 2012, 62,2% declararam que a satisfação do cliente está em primeiro plano. Em seguida, com 51,22%, aparece o desenvolvimento de novos negócios. A maioria das empresas (48,05%) também afirma que seus investimentos serão voltados principalmente para o aumento de produtividade.

Para que essas metas sejam atingidas, as empresas consideram essencial um melhor gerenciamento de pessoal. Segundo 59% delas, a atenção aos recursos humanos foi o principal fator que possibilitou ganho de produtividade em 2011. Por isso, 54,88% das empresas afirmam manter recursos destinados ao treinamento dos funcionários, incentivando a educação e o aprendizado. As indústrias indicam ainda que 58,05% das empresas apostam na qualificação profissional como estratégia para enfrentar a concorrência nacional e internacional.

Dificuldades

A Sondagem Industrial também questionou os empresários sobre os principais empecilhos que atrapalham a competitividade das indústrias no mercado interno. Assim como aconteceu em todas as outras edições da pesquisa, a carga tributária elevada continua no topo das dificuldades, indicada por 75,61% das empresas.

Para o presidente da Fiep, o índice reforça a necessidade de mudanças não apenas no sistema tributário brasileiro, mas em outras questões que afetam o desempenho da indústria. “Enquanto não tivermos as reformas tributária, fiscal, trabalhista e previdenciária, entre outras, vamos continuar fazendo com que o industrial enfrente muitas dificuldades”, afirma Campagnolo. Segundo ele, em 2012 a Fiep seguirá trabalhando no movimento A Sombra do Imposto, lançado há um ano, buscando a adesão de entidades em nível nacional. “Pretendemos continuar batendo na porta da equipe econômica do governo para mostrar que precisamos de mudanças nessa área”, explica.

Inovação

O levantamento da Fiep mostra ainda que 41,76% das indústrias paranaenses investem em meios próprios de pesquisa e desenvolvimento. “O industrial percebe que, se investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação, terá vantagens competitivas, principalmente na concorrência com produtos importados”, afirma Campagnolo.

O presidente da Fiep, porém, mostra preocupação com o fato de que apenas 10,39% das empresas recorrem a universidades na busca de conhecimentos, parcerias, novas tecnologias ou inovações. “Esse dado é preocupante, porque há um distanciamento entre as academias e as indústrias”, diz. “Na Fiep, temos a intenção de trabalhar nessa aproximação entre universidades e empresas nos próximos anos”, completa.

Comentários

  • Everson Darbeville disse:
    24/12/2011

    Compatriótas leitores, o Brasil está sob risco iminente de desindustrializar-se. O Governo brasileiro joga contra a classe produtiva industrial brasileira de todos os modos possíveis. Juros altíssimos, carga tributária em cascata e em toda a cadeia produtiva e o Real super valorizado frente ao dólar pela incompetente e teimosa política econômica de Brasília estão fazendo o Brasil sucumbir ao que nos diferencia de fato e notadamente de outros países mundo afora, nosso vasto parque industrial. O governo Federal joga contra os brasileiros, mas a favor dos chineses que despejam suas produções industrias dentro do Brasil com preços irreias, qualidade nenhuma e total omissão das autoridades brasileiras que deveriam fazer o que as autoridades da própria China fazem, proteger o que é da China antes de querer ser bonzinho com outros países! Os empresários industriais brasileiros são acima de tudo muito nacionalistas por que há mais de 511 anos os governos do Brasil desestimulam a produção nacional brasileira! Impostos absurdos pagos por parte do empresariado industrial e por parte da população do Brasil que não vê retorno satisfatório algum para sustentar governos completamente desastrosos e incompetentes. Estão quebrando o Brasil e colocando a culpa nos empresários. Impressiona a qualquer cidadão observar noticiários em que mostram que China e India crescem ao ano mais que duas vezes o que o Brasil cresce ao ano há anos! Em 2011 a China crescerá 9% de seu PIB e India 7,6%. Enquanto isso, no país onde discurso pesa mais que ações para a maioria, amargamos crescimento em 2011 de 3.6%. Vergonhoso e o responsável pela não competitividade do Brasil frente à China, à Alemanha e aos Estados Unidos – os três maiores países exportadores do mundo – é o próprio governo do Brasil, que nem copiar os outros consegue! Não temos infra-estrutura para crescer tanto pois PACs da vida sempre são lindas conversas e propaganda. No PR temos gargalos há décadas que atrapalham a competitividade do estado como a pequena e inadequada pista do Afonso Pena, a oferta energia sempre batento no limite e cada vez mais cara, entre outros. Países grande como o Brasil, como Estados Unidos por exemplo fizeram o dever de casa anos atrás e hoje mesmo com crise são muito mais estruturados que o Brasil. O povo americano não é pobre e paga impostos não mais que justos e vê retorno e não há analfabetos lá. Brasília podia ao menos tentar ser mais proficiente na administração do Brasil. Aqui há pouca Ordem, pouco Progresso e duvida-se que a classe política sinta a Pátria Amada Gentil!

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