Fiep lamenta manutenção de índice de reajuste do mínimo regional para 2013

Definição prévia do aumento a ser aplicado no ano que vem foi aprovado nesta quarta-feira (25) pela Assembleia Legislativa, junto com o reajuste de 2012

Evaldo Kosters, vice-presidente da Fiep, é entrevistado durante sessão na Assembleia Legislativa (Foto: Mauro Frasson)

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) lamentou a manutenção do estabelecimento prévio dos índices de reajuste que serão aplicados ao salário mínimo regional em 2013. Nesta quarta-feira (25), diretores da entidade estiveram na Assembleia Legislativa, onde se discutia o projeto de lei do governo do Estado que estabelece um aumento de 10,32% para o piso regional em 2012, além de já determinar o reajuste do próximo ano.

“Não somos contra os trabalhadores e não questionamos mais o índice a ser aplicado este ano no mínimo regional”, afirmou o vice-presidente da Fiep, Evaldo Kosters. “O que questionamos é a antecipação de um índice que só vai ser aplicado daqui a um ano, quando não saberemos como estará o cenário econômico. O que defendemos é a livre negociação entre trabalhadores e empresários em seu devido tempo”, acrescentou Kosters. Além dele, o também vice-presidente Aurélio Sant’Anna representou a Fiep na Assembleia. Presidentes e executivos de sindicatos empresariais também acompanharam a sessão.

O projeto de lei enviado pelo governador Beto Richa à Assembleia estabelece que o salário mínimo paranaense em 2013 terá, além da correção da inflação registrada nos próximos 12 meses, um aumento real de 5,1%, baseado no crescimento do PIB nos últimos dois anos. “Temos que considerar que o aumento do PIB está desconectado do aumento da produtividade da indústria, que está em torno de 2%”, justificou Kosters. O índice do próximo ano vai ser confirmado por decreto, sem precisar de nova aprovação pelo Legislativo.

O vice-presidente da Fiep afirmou ainda que a antecipação do índice não leva em conta, também, as dificuldades enfrentadas por diferentes setores da economia. “Não podemos medir todos os setores com a mesma régua. A indústria do vestuário, por exemplo, vem sofrendo com a forte concorrência de importados e perde competitividade se tiver que arcar com um reajuste elevado”, disse.

Durante a discussão do projeto na Assembleia, foram analisadas duas emendas apresentadas pelo deputado Elio Rusch (DEM) – a pedido das principais entidades empresariais do Estado, incluindo a Fiep –, que sugeriam a supressão dos artigos que predeterminam o índice de reajuste para 2013. As emendas, no entanto, foram rejeitadas pela maioria dos 54 parlamentares e o projeto do governo foi aprovado com o texto original. Além de Rusch, apenas outros seis deputados votaram favoráveis às emendas: Douglas Fabrício (PPS), Fernando Scanavaca (PDT), Nelson Justus (DEM), Osmar Bertoldi (DEM), Plauto Miró Guimarães (DEM) e Stephanes Junior (PMDB).

Rusch justificou que sua intenção não era questionar os índices de reajuste em si, mas garantir que houvesse, no ano que vem, a devida discussão sobre o aumento a ser aplicado em 2013. “Não é preciso ser especialista no assunto para saber que não podemos prever o que vai acontecer com a economia nos próximos 12 meses. A Europa vive uma forte crise, com países entrando em recessão. O Brasil não é uma ilha e ninguém ainda sabe se essa crise vai nos afetar ou não”, declarou o deputado.

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