Desoneração e combate à informalidade são prioridades para a indústria madeireira

Fórum Setorial da Fiep levantou as demandas do segmento e discutiu novas oportunidades de mercado para o setor, como a construção de casas com paineis de madeira

Presidente da Fiep destacou a grande participação de empresários no Fórum (Foto: Gilson Abreu)

Desonerar a produção, combater a informalidade e implantar ações que melhorem a imagem do setor foram as prioridades apontadas por empresários da indústria madeireira que, nesta terça-feira (20), em Curitiba, participaram de mais uma edição dos Fóruns Setoriais, promovidos pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O encontrou reuniu cerca de 60 lideranças empresariais do segmento, que debateram as dificuldades e estratégias do setor. Dentro da programação do Fórum, os empresários também visitaram uma casa em construção pelo processo wood frame, que utiliza paineis de madeira.

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“O modelo adotado nos Fóruns Setoriais traz uma riqueza muito grande de contribuições, que serão usadas como base para o trabalho da Fiep em favor deste segmento”, afirmou o presidente da entidade, Edson Campagnolo. “A indústria madeireira é um setor que trabalha alinhado, como prova a grande presença de empresários neste Fórum, mas ainda existe muito potencial para crescimento no Paraná”, acrescentou.

Atualmente, a indústria madeireira paranaense ainda se esforça para recuperar os prejuízos causados pelas recentes crises internacionais. Para se ter uma ideia, o setor, que em 2004 chegou a empregar 54 mil pessoas no Estado, teve o número de trabalhadores reduzido para 37 mil em 2009. Nos dois últimos anos, com pequenos sinais de recuperação, subiu para cerca de 40 mil empregos.

A variação pode ser explicada pela forte queda nas exportações do segmento, bastante dependente do mercado externo. Enquanto em 2004 as vendas para outros países totalizaram US$ 1,17 bilhão, em 2009 o valor caiu pela metade, com apenas US$ 530 milhões. Novamente, houve ligeira recuperação nos dois últimos anos, com as exportações do setor fechando em US$ 640 milhões em 2011. Mas o cenário internacional ainda está longe do ideal, segundo os empresários.

O empresário Paulo Pupo é o novo coordenador do Conselho Setorial da Indústria Madeireira (Foto: Gilson Abreu)

Por enfrentar as dificuldades, durante o Fórum Setorial os participantes apontaram quais as necessidades do setor e elegeram as prioridades que devem ser atendidas tanto pelo poder público quanto pelo Sistema Fiep. “São ações que precisam da representatividade e da participação de todo o setor”, ressaltou o empresário Paulo Roberto Pupo, presidente do Sindicato da Indústria da Madeira de Imbituva (Simadi) e novo coordenador do Conselho Setorial da Indústria da Madeira da Fiep.

No primeiro caso, os empresários pedem que o governo desonere diferentes produtos de madeira, retirando, por exemplo, a cobrança de ICMS sobre toras e do PIS/Cofins sobre os resíduos. Para o empresário Álvaro Scheffer, a desoneração seria importante inclusive para combater um grave problema que afeta o setor: a informalidade. “O setor da madeira regrediu nos últimos anos e passou por um processo de informalização muito sério”, disse. “A maioria da produção do Estado vem de florestas plantadas. Se houver uma desoneração sobre os produtos que saem delas, voltaremos a aumentar a formalidade”, completou.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Odacir Antonelli. “Precisamos extinguir a informalidade no setor. É necessário mostrar que não é preciso ser informal para sobreviver, já que o empresário da nossa área é muito competente e tem condições de agregar valor à produção”, afirmou.

Além do combate à informalidade, os empresários também consideram importante trabalhar para melhorar a imagem do setor. “Infelizmente ainda somos vistos como devastadores, quando na verdade não destruímos nada”, disse o presidente do Sindicato da Indústria da Madeira de União da Vitória, Fabrício Antonio Moreira Neto. “Pelo contrário, somos produtores, plantamos tudo o que utilizamos, e precisamos mostrar isso à sociedade”, acrescentou.

Por isso, outra demanda prioritária levantada pelos participantes é que o setor da madeira, enquanto produtor, passe a responder ao Ministério da Agricultura e não mais ao Ministério do Meio Ambiente. Realizar, com apoio da Fiep, uma campanha de marketing esclarecendo a população sobre o real impacto e a atuação do segmento é outra solicitação dos empresários.

Ainda em relação ao Sistema Fiep, os participantes do Fórum Setorial pediram que a entidade trabalhe na elaboração de um projeto de lei que garanta a isenção de impostos para madeira de reflorestamento. Por fim, a última demanda prioritária do setor é que a Fiep mantenha o apoio que vem dando ao projeto da Casa Inteligente, que utiliza painéis de madeira na construção de residências pelo processo wood frame.

Casa utiliza paineis de madeira: agilidade e menos resíduos (Foto: Gilson Abreu)

Visita técnica

Para que os empresários conhecessem de perto esse processo, dentro da programação do Fórum Setorial foi realizada uma visita técnica a uma casa que está sendo construída pela empresa Tecverde utilizando o wood frame. A tecnologia foi trazida ao Brasil pelo Senai Paraná, em 2009, após uma missão técnico-empresarial à Alemanha, que buscava alternativas para ampliar o mercado da indústria madeireira do Estado. O sistema de construção wood frame utiliza paineis de madeira certificada de reflorestamento, permitindo montagem rápida da estrutura e baixa geração de resíduos durante a obra.

O engenheiro Euclésio Finatti, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) e coordenador da Comissão Casa Inteligente – instalada pela Fiep –, afirma que o grupo trabalha para que a tecnologia possa ser utilizada por quem busca financiamentos públicos para a construção de residências. Com o aumento da procura pela tecnologia, seria aberta uma nova oportunidade de negócio para a indústria madeireira.

Para Paulo Roberto Pupo, a concretização do projeto seria importante para o setor. “A utilização da madeira para a construção de residências é um sonho do setor. Temos uma gama de produtos para oferecer e precisamos provar tecnicamente a viabilidade deles. É um dos caminhos que o setor precisa trilhar”, afirmou.

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