Balança comercial paranaense segue registrando déficit em 2011

Mesmo com crescimento de 22% nas vendas para o exterior entre janeiro e novembro, importações superam as exportações em US$ 1,3 bilhões

Edson Campagnolo, Alessandro Teixeira e Tatiana Prazeres, durante coletiva em Curitiba (Foto: Rogério Theodorovy)

Mesmo com um crescimento de 22% nas exportações em 2011, a balança comercial paranaense continua registrando desempenho negativo no ano. Com aumento em ritmo mais acelerado, de 35% entre janeiro e novembro, as importações do Estado superam as vendas para o exterior em US$ 1,3 bilhão. Os números da balança comercial paranaense e brasileira foram divulgados nesta quinta-feira (1º) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), durante entrevista coletiva no 3º Encomex Mercosul, em Curitiba, que contou com a participação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo. Em nível nacional, tanto exportações quanto importações têm resultados recordes no ano, com o país apresentando um saldo positivo de US$ 26 bilhões em seu comércio exterior.

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Até o mês passado, as exportações paranaenses somaram US$ 15,9 bilhões. As commodities agrícolas – com destaque para a soja em grão, que responde por 20,2% do total – seguem liderando as vendas para outros países. Este ano, as exportações do produto cresceram 36,2%, registrando resultados positivos inclusive em novembro, quando tradicionalmente há baixa nas exportações. Por outro lado, as compras de veículos e peças automotivas, que tiveram crescimento de 54% este ano, contribuíram significativamente para o total de importações.

Apesar da preocupação com o aumento da entrada de artigos importados no Estado, o presidente da Fiep aponta um dado que serve como indicador de uma evolução na economia paranaense: de janeiro a novembro, as compras de máquinas e equipamentos cresceram 19,1%. “Isso demonstra que estão ocorrendo investimentos na indústria paranaense, importantes para a manutenção de empregos e renda em nosso Estado”, disse.

Em relação aos parceiros comerciais do Paraná, a China continua sendo o principal destino das exportações e a origem da maioria das importações. O fluxo de comércio entre o Estado e o país asiático totaliza US$ 5,8 bilhões no ano. “Apesar de a China comprar muito do Paraná, especialmente soja, ela continua sendo motivo de preocupação para nosso setor industrial”, disse Campagnolo.

Enquanto o Paraná apresenta déficit em seus negócios internacionais, a balança comercial brasileira segue apresentando bons resultados em 2011. No acumulado do ano, foram registrados recordes para as exportações (total de US$ 233,9 bilhões, com crescimento de 28,7%), as importações (US$ 207,9 bilhões, + 24,6%) e na corrente de comércio (US$ 441,9 bilhões, +26,7%). Além disso, o saldo acumulado da balança comercial, de US$ 26 bilhões, é o maior dos últimos quatro anos para o período.

O secretário-executivo do MDIC e ministro em exercício, Alessandro Teixeira, destaca que o saldo positivo da balança já supera em R$ 6 bilhões o resultado alcançado em todo o ano de 2010. “Outra dado importante é que o crescimento das exportações brasileiras, de quase 29%, é bastante superior à média das exportações mundiais, que está em 18%”, disse Teixeira.

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, acrescentou que, com este ritmo de crescimento, o Brasil deve no ranking dos principais exportadores mundiais. Hoje, o país ocupa a 22º posição, segundo a OMC. “A expectativa é que o Brasil feche 2011 com participação de 1,4% no comércio mundial, sendo que a meta estabelecida pelo plano Brasil Maior é chegar a 2014 com participação de 1,6%”, destacou.

Encomex promove reflexão sobre o Mercosul

A terceira edição do Encomex Mercosul, aberta nesta quinta-feira (1º) em Curitiba, marca os 20 anos de existência do bloco, que envolve o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. De acordo com a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Tatiana dos Prazeres, nesse período o comércio entre estes países cresceu 800%.

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Apesar do percentual expressivo, ainda há muito a avançar para a consolidação comercial do bloco. Em seu discurso durante a abertura do evento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, destacou a necessidade de eliminar as barreiras tarifárias e não-tarifárias que ainda existem entre os países. “Percebemos que houve alguns avanços, mas não na velocidade em que os empresários gostariam.”, observa.

Segundo Campagnolo, muitas empresas encontram dificuldades em viabilizar negócios dentro no Mercosul. “Às vezes é mais fácil fazer comércio com países fora do bloco.”, avalia. De fato segundo informações do secretário estadual de Indústria Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, hoje os países do Mercosul respondem por 14% das exportações do Paraná, enquanto os países da União Europeia ficam com 19% das exportações.

Apesar das dificuldades, Campagnolo acredita que o Encomex é uma excelente oportunidade para refletir sobre esta realidade e o que pode ser feito para eliminar conjuntamente os entraves existentes. “Que os empresários façam mais pressão para romper as barreiras que impedem o crescimento do Mercosul.”, afirmou.

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