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“O fato de eu não conseguir fazer a transformação por inteiro não me exime de eu fazer a minha parte”, diz Dallagnol durante Fórum Visões

Palestra aconteceu em Foz do Iguaçu para diretores da Fiep

O procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, abriu o ciclo de palestras do Fórum Visões, iniciativa da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) que aconteceu em Foz do Iguaçu nesta sexta-feira (24). Com uma fala focada no Brasil antes e depois da Lava-Jato, ele teve como plateia diretores da Fiep e reconheceu o apoio dos empresários em prol da Operação.

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Ao fazer um balanço das colaborações, o dinheiro recuperado e a mobilização que a força tarefa fez, Deltan disse que “2018 será a batalha final da Lava-Jato. Ou seremos uma Itália ou uma Hong Kong”, afirmou ao citar o país como um exemplo em que a corrupção voltou a se instalar depois que a discussão em volta da operação Mãos Limpas se esvaziou e a região na China que reduziu drasticamente os índices de corrupção.

Na execução das investigações, 280 pessoas foram acusadas, com a colaboração de 415 políticos, de 26 partidos, o que significa um rompimento com um círculo de crimes, mas, para ele, mais importante do que isso é o diagnóstico que a Lava-Jato faz da situação brasileira.  “Todos nós queremos estabilidade e não instabilidade política. Uma estabilidade real e não uma estabilidade colocada sob pilares da corrupção, pois ela deturba e corroí esses pilares, e é uma estabilidade que está pronta a desmoronar”, falou sobre a relação entre política, economia e bem-estar e acrescentou que “a corrupção rouba a energia das pessoas, investimento e rouba a qualidade do serviço público brasileiro”.

De acordo com ele, no Brasil, “97 a cada 100 casos de corrupção comprovados acabam em plena impunidade”.  No Paraná, há apenas 53 casos de condenação por conta de corrupção em última instância e quase todas não têm relação nenhuma com desvios de conduta na política.

Por isso, ele defende uma mudança maior do que a operação. “Se a gente não tiver mudanças estruturais, vamos passar o resto das nossas vidas sentados na frente da TV achando que tudo é pequeno diante do que foi descoberto na Lava- Jato e vamos seguir reclamando da vida. A Lava-Jato é uma janela de oportunidades contra a corrupção”, citou ao dizer que toda a sociedade precisa se engajar e defender transparência e compromisso com a democracia.

Além disso, Dallagnol, afirma que a corrupção também leva a uma descrença na democracia. “ A corrupção, à medida que a gente vai convivendo com ela, dá um golpe fatal, pois ela inocula em nossas veias um cinismo e uma descrença em relação às instituições. Alguns podem pensar: se esses caras não obedecem a lei, por que eu sou o bobo e devo obedecer? Ao mesmo tempo em que outros começam a desconfiar da democracia e começam a flertar com ideias ditatoriais”, refletiu ao falar das consequências de comportamentos antiéticos não serem punidos.

Consciência limpa

Sozinha a Lava-Jato não irá mudar o Brasil, conclui Dallagnol, mas para ele, o que importa é que cada um faça a sua parte. “O fato de eu não conseguir fazer a transformação por inteiro não me exime de eu fazer a minha parte”, disse e repetiu para a plateia e acrescentou que “o apoio de vocês, da sociedade, conseguiu resultados nunca antes visto no país”.

Quatro foram os pilares da força tarefa: colaboração, cooperação, divisão em fases e uso da comunicação social. A última estratégia, de acordo com ele, ajudou a conseguir o apoio da sociedade e a ganhar força diante das inúmeras pessoas com poder no país envolvidas em situações de desvio de dinheiro.

Ao final, ele fez duas perguntas aos presentes: “A Lava Jato muda a nossa realidade? Teremos um antes e um depois?”. E como resposta, o procurador disse que “infelizmente a Lava-Jato não muda o nosso país. Se queremos mais integridade não devemos colocar de modo demasiado a expectativa na Justiça. Pois, assim, você é a vítima que espera os heróis para te salvar. Você se coloca como vítima de políticos que não te representam, mas é você quem escolhe eles a cada 4 anos. Heróis serão todos os cidadãos que se envolveram”, refletiu.

O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, entregou um exemplar da história em quadrinhos  “3 Poderes – os líderes do amanhã”, do movimento Vote Bem ao procurador e reafirmou o seu apoio às ações que combatem a corrupção.

Iniciativas da sociedade civil

A segunda palestra do Fórum Visões foi do líder do Instituto Mude, Fábio Oliveira. O Mude é um movimento criado em 2015 por pessoas que cobra mudanças aos parlamentares, apoia medidas e ações de conscientização. Confira o que o Instituto tem feito para combater a corrupção:

 

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