Setor moveleiro deve crescer 19% até 2021

A projeção foi apresentada pelo diretor do IEME, Marcelo Prado, durante a abertura do Congresso Nacional Moveleiro. De acordo com Prado, o faturamento deve retomar o patamar de 2013 e a retomada deve acontecer a partir do consumo da classe média

Começou nesta quinta-feira (21), a oitava edição do Congresso Nacional Moveleiro, no Campus da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O tema norteador do evento é “Boas ideias, o ponto de partida para seu sucesso”.  A programação segue até sexta-feira (22) e a perspectiva é que mais de mil pessoas passem pelo evento nos dois dias.

Presidente da Fiep, Edson Campagnolo

Na abertura, o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, falou a importância do setor para a região sul, que produz 83,6% de tudo que é exportado em móveis no país. “É um setor altamente relevante para o estado e para a região sul. O Paraná tem uma base florestal muito forte. Toda a cadeia é muito integrada. Esse segmento e esse setor são muitos importantes, por isso, continuamos fazendo investimentos para que o congresso seja de formação, encontro e associativismo”, afirmou.

O Congresso traz uma oportunidade para a geração de negócios e de networking para a cadeira moveleira. A programação do evento traz encontros de negócios nacional e internacional, workshops, palestras, painéis e exposições e espaço design para falar de tendências e boas práticas no mercado.

Coordenador do Conselho Setorial Moveleiro da Fiep, Irineu Munhoz

O coordenador do Conselho Setorial Moveleiro da Fiep, Irineu Munhoz, falou do papel do mobiliário na vida das pessoas e como o Congresso quer dialogar com as necessidades do consumidor. “O setor moveleiro tem um papel importante na produção industrial paranaense, no impacto social e na capacidade de gerar empregos. Nossos produtos fazem parte do cotidiano das pessoas ao trazer conforto, praticidade e embelezamento do mais humilde ao mais abastado. A indústria tem que se reinventar a cada dia para fazer novos produtos que satisfaçam às necessidades do consumidor. Esse congresso vem dar subsídios para alavancar o sucesso dos profissionais e a cadeia produtiva”.

A vice-presidente da Abimóvel, Maristela Longhi, afirmou que neste momento de retomada “é importante que eventos como esse. Os congressos trazem insights para que as empresas possam ter novas ideias”, defendeu.

Tendências de consumo

Gerente de marketing da Lectra, Patricia Costa.

As oportunidades para o setor foram o tema da palestra de abertura, com a gerente de marketing da Lectra, Patricia Costa. Ela elencou o que considera quatro megatendências do mercado moveleiro – os millennials, a digitalização, indústria 4.0 e o mercado chinês.

Nascidos entre 1980 e 2000, os millennials representam 2 bilhões da população mundial, sendo que 86% estão em países emergentes. “É a maior geração de trabalhadores da história e a maneira como interagem com o consumo é totalmente diferente de formas adotadas por outros grupos – principalmente por serem nativos digitais e adeptos do social shopping”, disse Costa, referindo-se ao hábito de compras online, para economizar tempo. Ainda de acordo com a especialista, é importante estar atenta a essa importante fatia de consumidores, que têm uma preferência por produtos ecologicamente corretos e que querem algum tipo de customização ao escolher o que colocar no carrinho de compras.

Sobre a indústria 4.0, Patricia Costa apresentou a evolução industrial – do uso do vapor, passando pela eletricidade, tecnologia da informação e agora da tecnologia em cloud e da digitalização no desenvolvimento do setor. “Em pouco tempo 70% da população terá telefones celulares – que devem ganhar ainda mais inteligência”, afirmou, citando como exemplo um aplicativo da loja de móveis europeia, Ikea, que escaneia o ambiente de sua casa e inclui nesse cenário o móvel que você gostou, para que você saiba como vai ficar antes de comprar.

E finalmente sobre a quarta tendência, a China como importante mercado, a gerente de marketing destacou que há um crescente aumento de consumidores de classes média e alta, ávidas por marcas. “Há, além disso, um agressivo programa de desenvolvimento do governo chinês, “Made in China 2025”, que prevê taxas altas de crescimento de indicadores como aumento de produtividade (6,5%), penetração de ferramentas de produção automatizadas (64% do total), penetração de internet de alta velocidade (82% do total), e penetração de ferramentas de P&D digitais e de design (84% do total)”, contou, alertando para a importância desse mercado potencial para a produção de mobiliário brasileiro.

 

Vender o que é atrativo, independente do preço

O padrão de consumo do mercado moveleiro, para Marcelo Prado, diretor do IEMI, irá mudar. De acordo com ele, a situação que vamos viver é a venda daquilo que traga experiência. “Baixar o preço não vai funcionar mais. Nem que você baixe o preço, o produto não será vendido porque é barato, mas porque ele é atrativo”, afirmou e acrescentou também que será preciso repensar o modo de fazer negócios. “Não vamos superar a crise oferecendo mais do mesmo e mais barato. Isso não vai dar lucro para ninguém. Temos que acima de tudo encantar o nosso consumidor com algo que seja nosso e que seja diferente”, acrescentou.

Hoje, 30% do que é produzido de móvel no mundo é fabricado para exportação. A região sul é responsável por 86,5% das exportações brasileiras de móveis. Os Estados Unidos são o principal destino. O Reino Unido, Peru, Uruguai, Chile e Paraguai são os mercados que cresceram. “Os industriais fugiram da crise do euro e do dólar na época da recessão de 2009 e agora conseguimos resultados. Mas precisamos ir para Ásia, África e Leste Europeu”, apontou o diretor do IEMI.

Olhando a longo prazo, a projeção do IEMI é que até 2021 haja um crescimento do setor de 19%. “Ou seja, voltaríamos ao que tínhamos em 2013. Seria uma perda de 8 anos de oportunidade de crescimento e enriquecimento”, comparou.

Para um crescimento sustentado, é preciso, de acordo com Prado, investir em novas regiões de consumo, atuar em vários pontos de contato com o consumidor e oferecer produtos com maior potencial. O crescimento deve partir, segundo Marcelo, a partir da classe média e média alta. “Foi a parcela que parou de consumir primeiro e será a primeira  a voltar a comprar e deve gerar o movimento de retomada de crescimento”, explicou.

No Brasil, o varejo para venda de móveis conta com 54 mil pontos de vendas, 44 mil são lojas especializadas em móveis. Elas são responsáveis por 70% do volume do que é vendido pelo varejo brasileiro.