Relações trabalhistas e custo Brasil são os pontos que mais desestimulam a entrada de empresas japonesas no país

O tema foi discutido durante o painel “Ambiente e oportunidades de negócios” da 20ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão

Alta taxa tributária, relações trabalhistas inseguras, competidores internacionais e barreiras alfandegárias foram alguns dos pontos discutidos como empecilhos para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Japão. O tema foi discutido durante o painel “Ambiente e oportunidades de negócios” da 20ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, realizado no Campus da Indústria do Sistema Federação das Indústria do Paraná.

A secretária executiva do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Thaíse Dutra, apresentou ao grupo visitante os diferenciais para empresas que se instalam nas Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs).

O vice-presidente da Toyota do Brasil, Celso Shimomura, falou sobre três pontos de melhoria no ambiente comercial no país. Segundo ele, é importante haver avanços na discussão de temas como livre comércio, logística (tributos e infraestrutura) e políticas contínuas e consistentes que permitam o crescimento da indústria.

Fabrizio Panzini, especialista em Negociações Internacionais, destacou principais pontos de acordos de dupla tributação (DTAs). “O Brasil renegociou seu DTA com a Argentina e deve renegociar com a China. Brasil e Japão têm uma janela de oportunidades para modernizar também seu acordo de dupla tributação. Os setores privados deveriam trabalhar nisso. Os acordos de dupla tributação são determinantes para a competitividade de operações que estão estreitamente relacionadas à tecnologia e à transferência de tecnologia (royalties e serviços)”, contextualizou Panzini.

Atualmente, os principais produtos exportados do Brasil para o Japão, segundo a diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento, Sandra Rios, são minérios e produtos alimentícios. E importamos, prioritariamente, máquinas e equipamentos. “A economia japonesa é aberta, com poucas tarifas, mas com alto teor de proteção do agrobusiness. É preciso grandes esforços para conseguirmos colocar mais produtos brasileiros em território nipônico. Conseguimos recentemente permissão para exportar carne suína. Mas precisamos dedicar mais atenção a isso”, pediu Rios, afirmando que apesar do baixo dinamismo no comércio bilateral de bens, o Japão representa um importante parceiro para o Brasil.

O painel foi encerrado por Satoshi Awaya, presidente do Comitê de Relações Institucionais da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão. Awaya apresentou ao público o “Agir” – Action Plan for Greater Investiment Realization. De acordo com o executivo, as questões trabalhista e tributária são as que mais impactam na realidade de empresas japonesas no Brasil. Ao final, ele elogiou a reforma trabalhista e afirmou que as empresas estão satisfeitas com as perspectivas, a partir desta nova legislação.

A 20ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão é realizada em parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a entidade empresarial japonesa Keidanren, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

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