Digitalização de processos está no centro de estratégias industriais de Brasil e Japão

Tema foi abordado no painel que fechou os debates do primeiro dia da 20ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica dos dois países

Estratégias e políticas industriais foram tema do painel que fechou, nesta segunda-feira (28), em Curitiba, o primeiro dia da 20ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão. Representantes de entidades empresariais e empresas dos dois países apontaram principalmente a necessidade de investimentos na digitalização dos processos industriais como forma de impulsionar não apenas a competitividade das companhias, mas também o desenvolvimento social. O evento é realizado em parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a entidade empresarial japonesa Keidanren, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

No Japão, as estratégias e políticas de desenvolvimento industrial estão diretamente ligadas às características demográficas da sociedade. É o que afirma o diretor-administrativo sênior da Keidanren, Satoshi Mukuta, moderador do painel. “No Japão, temos agora poucas crianças nascendo e uma idade cada vez mais avançada da população. O que precisamos é de inovação cada vez maior em todas as áreas da indústria. Estamos partindo para uma sociedade smart 5.0, usando inteligência artificial e internet das coisas para aumentar a produtividade, com as necessidades latentes sendo colocadas à tona para fazer face à sociedade do futuro”, explicou.

O engenheiro-chefe da Unidade Global de Negócios da NEC Corporation, Shinya Kukita, acrescentou que o modelo japonês se diferencia do conceito conhecido como indústria 4.0, adotado principalmente por alemães e norte-americanos, focado principalmente nas indústrias manufatureiras. “No Japão, o escopo não fica apenas na indústria, mas vai também para as pessoas, a sociedade e todas as formas de viver. Isso é o que chamamos de sociedade 5.0”, disse.

O principal “combustível” dessa sociedade, segundo Kukita, são os dados gerados pela digitalização dos processos. “Tivemos a economia do carvão, a do petróleo e a agora a da digitalização. Na era da economia digital, podemos falar que os dados são o que substituem o petróleo, e também é necessário refinar esses dados para que se possa agregar valor a eles. Este é o papel do big data”, afirmou. Segundo ele, isso está no centro da estratégia da NEC e da indústria japonesa atualmente.

Já o gerente executivo da Unidade de Política Industrial da CNI, João Emilio Gonçalves, declarou que a indústria brasileira precisa despertar para essa nova realidade. “Existe um desconhecimento de onde se investir e isso dificulta ainda mais a incorporação tecnológica na indústria brasileira”, disse, acrescentando que a CNI vem trabalhando fortemente para levar informação e ferramentas para que as empresas se atentem para a digitalização dos processos. Para Gonçalves, o Japão pode ser um parceiro importante nesse sentido, até mesmo para incentivar a competitividade de fornecedores de empresas japonesas que atual no Brasil.

Quem também participou do painel foi o superintendente da área de Indústria e Serviço e da área de Indústrias de Base do BNDES, Claudio Leal. Ele afirmou que a digitalização da indústria é um tema que está entre as prioridades do banco. Tanto que, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), foi encomendado um estudo junto à consultoria McKinsey sobre Indústria 4.0 e internet das coisas (IoT). Segundo Leal, o trabalho, que deve ser encerrado nos próximos meses, aponta três áreas prioritárias em que o Brasil tem potencial para avançar na digitalização: agronegócio, saúde e cidades inteligentes. “Alimentando esses três eixos está a indústria de manufatura”, declarou.

Por fim, o painel foi encerrado pelo diretor-presidente da Nippon Steel & SumitomoMetal Corporation, Kazuhiro Egawa. Valendo-se da larga experiência da companhia no Brasil – a empresa foi uma das fundadoras da Usiminas, em 1962 –,  ele defendeu melhorias no ambiente de negócios do país, com o fim principalmente de tornar mais igualitário o tratamento entre investimentos brasileiros e estrangeiros. “É preciso uma melhor organização do ambiente de negócios para incentivar investimentos”, disse Egawa.

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