Homenagens a empresários de Curitiba encerram Semana da Indústria 2017

Durante a solenidade, presidente da Fiep destacou a força dos empreendedores do Estado e defendeu que o país continue debatendo as reformas, independente da crise política

Com a entrega de homenagens a empresários e empresas com destacada atuação pelo desenvolvimento do setor industrial do Estado, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) encerrou, na noite desta segunda-feira (29), as atividades da Semana da Indústria 2017. O presidente da entidade, Edson Campagnolo, destacou que a programação deste ano, que percorreu todas as regiões do Paraná, valorizou o esforço da indústria paranaense para seguir contribuindo com o desenvolvimento econômico e social do país mesmo no período de crise vivido pelo Brasil. A solenidade em Curitiba também foi marcada pela entrega do troféu Pinheiro de Ouro à força-tarefa da Operação Lava Jato e às famílias de Jayme Canet Junior e Marcelino Ampessan.

“Nossa intenção foi valorizar esses empreendedores, mostrando que essas pessoas mantêm a chama viva dos seus negócios, gerando empregos, renda e recolhendo impostos que beneficiam toda a sociedade”, disse Campagnolo. “Tenho plena convicção de que esta sexta edição da Semana da Indústria superou as expectativas, apesar do momento difícil que vivemos. Foram dias especiais para a comunidade industrial paranaense, mas também para todos os brasileiros que acreditam que mudanças virão logo após esta tempestade passar”, acrescentou.

Em seu discurso, Campagnolo também reforçou a necessidade de que o país continue debatendo as reformas para recolocar o país no rumo do crescimento econômico. Ele colocou como prioritárias especialmente as reformas da Previdência e Tributária, que têm condições de equilibrar as contas públicas e desonerar o setor produtivo. “Não temos mais condições de carregar uma máquina pública do tamanho atual”, afirmou. Para Campagnolo, o Congresso deve assumir a responsabilidade pelas reformas. “Isso pode soar um tanto pesado, mas não é o presidente Michel Temer que possui condições de conduzir as reformas. Temos 513 deputados e 81 senadores que foram eleitos para fazer as mudanças. O presidente Temer é um legalista, que conhece toda a Constituição. O mais adequado para nós, enquanto economia e indústria, seria sua renúncia”, declarou, ao comentar as recentes denúncias envolvendo o presidente da República.

Conheça os homenageados

Fundada em 1913, por Eduardo Engelhardt, filho de imigrantes alemães, a Padaria América é uma das mais tradicionais panificadoras de Curitiba, sendo referência em qualidade, com várias premiações. O negócio vem passando de geração a geração. Evaldo, filho de Eduardo, cresceu recebendo do pai todo o conhecimento sobre a padaria e suas receitas. Chamado carinhosamente de “Seu Bruda”, forma abrasileirada de “bruder”, que em alemão significa irmão, assumiu o negócio em 1953, quando seu Eduardo adoeceu. Em 1981, um incêndio, destruiu parte das instalações e a padaria teve que ser reconstruída. Em 1999, com o falecimento de “Seu Bruda”, os filhos assumiram o negócio. Hoje, a padaria é administrada pela quarta geração da família, os bisnetos do fundador, Eduardo Henrique e Andrea Engelhardt.

“É realmente uma grande honra receber uma homenagem de uma instituição como a Fiep”, afirmou Eduardo Henrique, ao receber a medalha do Mérito Industrial. “É o reconhecimento de um trabalho de várias gerações”, acrescentou. Ele lembrou ainda de um antigo conselho que o fundador da Padaria América costumava dar a seus sucessores em relação ao desenvolvimento da empresa: “fique pequeno sozinho e limpo”. “Nos dias de hoje, são sábias palavras. Não vou falar para que os empresários aqui presentes fiquem pequenos, nem que fiquem sozinhos, porque a figura de um investidor pode ser fundamental. Mas posso dizer a todos que fiquem limpos, para que não sejamos nós os personagens dos noticiários de amanhã”, concluiu.

O Mérito Industrial foi entregue também ao empresário Sebastião Anastácio dos Santos, fundador da Pipoteca. Nascido em 1933, em Aurora (SC), chegou em 1978 em Curitiba, quando recebeu o convite de um amigo para ser sócio em uma fábrica de pipoca. A pequena fábrica passava por dificuldades e Sebastião tomou a decisão de comprar a outra parte da sociedade. A Pipoteca tornou-se, então, referência em produtos alimentícios. Seguindo um modelo de gestão familiar, conta com um corpo altamente qualificado de funcionários, entre eles filhos e netos do fundador. Nos últimos anos, a empresa se especializou na produção e distribuição de alimentos industrializados, atendendo Paraná e Santa Catarina. A empresa tem forte atuação social, empregando principalmente moradores do bairro e desenvolvendo projetos sociais em apoio à comunidade.

Ao discursar em nome de seu pai durante a solenidade, Arlindo Santos agradeceu pelo reconhecimento da Fiep. “Hoje é um dia de muita alegria, que simboliza todo o trabalho que meu pai realizou na Pipoteca. Fica nosso agradecimento a este home que veio de Santa Catarina apenas com a coragem e o apoio de sua esposa para empreender em Curitiba”, disse Arlindo. “A Pipoteca é prova de que, com trabalho duro e honesto podemos transformar a nossa sociedade e o nosso país”, completou.

A Fiep concedeu ainda o título de Benemérito da Indústria ao empresário Antonio Zanchett. Natural de Abson Batista (SC), desde cedo Zanchett revelou seu espírito empreendedor. Há 20 anos, fundou a Technocoat, indústria do setor de papel, com sede em Curitiba. Investimento constante em tecnologia e visão empreendedora são as principais marcas destes 20 anos de história. Desde a sua fundação, a empresa passou por mudanças e ampliações, culminando em 2009 com a criação do Grupo Technocoat, que uniu as quatro unidades fabris de Araucária, Telêmaco Borba, Guarapuava e Otacílio Costa. É hoje um dos maiores grupos convertedores de papel do Brasil, com uma infraestrutura completa e equipamentos de última geração. A evolução só ocorreu por causa da governança corporativa implementada pelos administradores. Antonio Zanchett presidiu o Grupo até seu falecimento, em março de 2015.

Kelly Zanchett, filha do industrial destacou que seu pai era sinônimo de sucesso, empreendedorismo, bondade e amor. “O mais coerente seria falar de seus feitos profissionais. Filho mais velho de dez irmãos, muito pobre, ele arriscou tentar a vida na cidade grande e, se estou hoje aqui, é porque ele merece”, afirmou. “Gostaria muito que vocês soubessem de todas as conquistas de meu pai, mas ficaria satisfeita se vocês soubessem da pessoa maravilhosa que ele foi. No mundo em que nos encontramos, prefiro falar de amor”, acrescentou.

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